Com a possibilidade de investimentos de capital estrangeiro no setor de saúde autorizado pela legislação brasileira em 2015, as movimentações de fusões e aquisições – M&A (Mergers and Acquisitions) aqueceram o mercado em 2020, chegando a movimentar mais de 1,088 bilhão de dólares, resultado surpreendente mediante o cenário crítico de avanço da pandemia. Foram cerca de 60 fusões e aquisições, número menor do que em 2019: total de 73 negociações, totalizando mais 1,641 bilhão de dólares. (Fonte: RGS Partners)

Nos últimos 12 meses, Minas Gerais se tornou um foco estratégico para esse mercado, mais especificamente a região Metropolitana de Belo Horizonte, com as aquisições do Grupo de Saúde Promed pelo Grupo Hapvida avaliada em R$ 1,5 bilhões; a aquisição do Hospital Lifecenter/BH pelo Grupo NotreDame Intermédica por R$ 240 milhões e, recentemente, a Rede D’Or adquiriu 51% do controle acionário do Biocor/BH numa movimentação global anunciada de R$ 750 milhões.

Além do movimento direto dessas grandes operadoras do cenário nacional, os Fundos de Investimentos XP Investimentos (XPI) e o IG4 Capital (OPY HEALTH) adquiriram da empreiteira Andrade Gutierrez em 2020, o ativo do Hospital Metropolitano Célio de Castro de 440 leitos em Belo Horizonte e o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz em Manaus (AM), com mais de 370 leitos, ultrapassando R$ 400 milhões investidos nas operações, mantendo as Parceria Público Privada (PPP) com as respectivas prefeituras, juntas as operações projetam uma receita anual de R$ 220 milhões de reais e cerca de 50% de EBITDA (Earnings before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), que é o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. (Fonte: Money Times)

Essas movimentações ocorridas em Belo Horizonte foram apenas algumas dentre tantas que ocorreram pelo país envolvendo grandes Grupos como AMIL, ASSIM Saúde, Grupo Dasa, Grupo Fleury, Qualicorp e outros, demonstrando que em 2021 e nos próximos anos, os investimentos serão ainda maiores.
O dinheiro para realizar as novas transações virá principalmente da ampliação e abertura de capital na bolsa de valores, com a participação de cidadãos comuns investindo em ações dessas empresas e também das captações junto aos fundos de investimentos nacionais e internacionais, que aproveitam o momento de desvalorização da moeda brasileira, que torna os ativos da área de saúde mais atrativos de investimentos, que atingirão não só as carteiras de operadoras menores, mas também hospitais, laboratórios e clínicas especializadas dentro do conceito de “verticalização da assistência à saúde”.

Outros aspectos que despertam o interesse no mercado de fusões e aquisições no setor de saúde no Brasil são os fatores demográficos, sociais
e econômicos em transformação e expansão: apenas 25% da população possui plano de saúde (Fonte: ANS) e o cenário atual de regionalização e fragmentação da “Participação no Mercado” (Market Share) das empresas operadoras.

Finalizando o ano de 2020, o mercado de “M&A” na área da saúde, anunciou a fusão do Grupo Hapvida (HAPV3) com o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3), formando a nova operadora de saúde, que deverá contar com 84 hospitais, 280 clínicas e 257 unidades de diagnóstico, além de 8,4 milhões de vidas em sua carteira de clientes – sendo 4,6 milhões delas do segmento odontológico, e juntas vão concentrar cerca de 18% da participação de mercado e o valor de R$ 112 bilhões. (Fonte: BTG Pactual)

Todas essas aquisições, antes de efetivadas, passam pela aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE), ambos têm como missão zelar pela livre concorrência no mercado impedindo a formação de monopólios através de um sistema de controle prévio de fusões, usando a prerrogativa da Lei 12.529/11 que estrutura o sistema brasileiro de defesa da concorrência.

O movimento de fusões e aquisições no setor da saúde que em 2015 parecia apenas um cenário possível, hoje é a mais pura realidade seguindo uma tendência mundial, visto que a área de saúde e ciências da vida vêm despertando interesse de investidores de forma global. A questão agora não é mais “SE” este movimento de mercado chegará até você afetando o seu cotidiano e sim “QUANDO”, seja você usuário final, investidor, empresa ou profissional da área de saúde.

Autor

Reynaldo Damasceno
Sócio e Diretor Executivo das empresas NTW Contabilidade e Gestão Empresarial – Unidade Coronel Fabriciano; PROFOX Sistemas e RVG Consultores e Auditores Associados. Graduado em Ciências Contábeis e Administração pelo Instituto Católico de Minas Gerais. Consultor de Empresas e Especialista em Gestão de Saúde e Hospitalar.

Contribuindo para o fortalecimento da classe médica e dos serviços de saúde do Vale do Aço.

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